Cinema Transcendental: a utilização da arte cinematográfica como reforço criativo à descoberta do mundo

É com imensa satisfação que chegamos ao final da primeira etapa do módulo de Cinema. Um de nossos principais objetivos no primeiro semestre foi o de ampliar o repertório cultural dos alunos, capacitando-os a enxergar não somente a subjetividade que a arte cinematográfica exibe, como também, de maneira objetiva, expor suas impressões no desenvolvimento da argumentação, seja ela oral ou escrita.

No próximo semestre, nosso foco será o vestibular. Trabalharemos as obras exigidas pela Cásper Líbero e Fundação Getúlio Vargas, assim como os demais diretores e filmes que são pertinentes às questões da atualidade e que serão assunto nos principais vestibulares, trazendo ao curso uma abordagem interdisciplinar. 

O módulo aconteceu nas unidades Perdizes e Morumbi, mas, em agosto, daremos início ao módulo também na unidade Alphaville.

O Módulo de Cinema é um curso extracurricular oferecido pelo Colégio Pentágono que tem como proposta abordar com mais acuidade a linguagem cinematográfica, objetivando focar não apenas o conteúdo expresso, mas também desenvolver mecanismos que o incentivem ao debate e à interpretação semiótica das cenas. De igual modo, desmistificar o cinema como um mero entretenimento, a fim de percebê-lo como uma potente arte ficcional, que dialoga todo o tempo com questões sociais, políticas, religiosas, culturais, econômicas e educacionais.

Para mais informações entre em contato com a secretaria da unidade.

 

 

 

Relatos dos alunos sobre o 1º semestre do Curso de Cinema

 

“Participar do módulo de cinema foi uma experiência incrível, não só para minha formação acadêmica, mas também como experiência pessoal. Ver filmes clássicos é de extrema importância para a formação de uma bagagem cultural, mas nas aulas nós íamos além disso, e, ao interpretá-los, mais do que ter contato com a arte, tivemos contato com o que ela representa e busca passar para o mundo. Isso faz com que todas as sextas-feiras passadas na escola tenham valido a pena.”

Beatriz Peixinho

 

“Cinema foi um curso iniciado esse ano e eu imediatamente pensei que poderia ser interessante participar. A partir do momento em que eu fiz a primeira aula, achei excepcional. As aulas de cinema me mostraram que nem tudo o que se vê, trata-se do que realmente é, ou seja, há sempre inúmeras possibilidades e sentidos no que se vê. Desse modo, o curso fez com que minha visão sobre os filmes mudasse, como também, entendesse a genialidade dos diretores e das obras abordadas no módulo.”

João Vítor Guedes

 

“As aulas foram muito dinâmicas já que os professores não estão apenas nos mostrando o significado de elementos no filme, como também estão nos dando ferramentas para podermos encontrar tais significados nós mesmos, compartilhando diferentes visões sobre determinada situação.  Estou muitíssimo empolgado para continuar no próximo bimestre.”

Vicente Xavier

 

“O módulo mais legal e os professores mais legais! O curso foi ótimo e creio que posso dizer que acrescentou muito ao meu repertório e não só isso, à minha vida. Hoje tenho um olhar diferente, que jamais seria capaz de ter, não fosse essa oportunidade.Valeu a pena! Não trocaria essa experiência por nada, abriu minha cabeça e me ensinou a ver sozinha, os intrínsecos e escondidos.”

Ana Carolina Cannone

 

“De verdade, para mim, o módulo foi perfeito. Isso é óbvio! Fez abrir minha cabeça em vários aspectos e ter uma visão completamente diferente da que eu tinha antes de assistir aos filmes.”

Denis Ortega

 

“Esse foi o meu primeiro ano no Ensino Médio e, como já era de se esperar, muitas dificuldades surgiram com essa mudança. Felizmente, também surgiu neste ano o curso de cinema me ajudou a descansar dessa pesada rotina do Ensino Médio.”

Pedro Schmidt

 

“O módulo de cinema tem uma dinâmica muito interessante, não é muito técnico ou pessoal, focando na apreciação e discernimento de vários tipos de filmes. Com certeza me surpreendi com as aulas, são divertidas e acrescem muito ao repertório pessoal. Além disso, minha forma de assistir aos filmes mudou totalmente.”

Victor Rivas

 

“Sinceramente, eu sempre fui fã de filmes e sempre gostei de ir ao cinema, mas os filmes que via eram os de Hollywood, mais ligados ao entretenimento do que ao conhecimento e, também, quando via algo mais artístico, era sem base, algo que nem você nem os próprios artistas entendem, apenas aceitam. Então, para mim, fazia falta ter uma explicação quando eu assistia a um filme “mais cabeça”, ainda mais uma explicação do estilo do Fernando. Esse foi um dos motivos por eu ter me interessado pelo curso: o Fernando. Além disso, assistir a um filme bom, com uma companhia boa e ter uma discussão melhor ainda, é algo para poucos. Eu não tenho palavras para descrever o que é ter uma aula sobre o que você gosta, com professores que realmente querem estar lá. Depois deste final de primeiro semestre do curso, eu tenho certeza de que é possível juntar prazer e conhecimento e sou muito grata por ter tido essa experiência e oportunidade.”

Eugênia Liberman

 

“Para todos aqueles que se interessam por cinema ou literatura, o curso de cinema é com certeza seu lugar! As aulas me ajudaram a construir um bom repertório, além de afinidade e sensibilidade artística.”

Gabriel Z. M. de Melo

 

“Há centenas de coisas a se falar sobre conhecimento técnico, histórico, cultural e perceptivo que adquiri durante esse primeiro semestre do curso de cinema. E se realmente pudesse descrever cada segundo, cada sentimento, a identificação com personagens e ideais, creio que esse pequeno depoimento talvez ficasse a pouco de alcançar a extensão de Os Lusíadas. Apesar disso, faço aqui uma digressão. Focarei, portanto, em perspectivas que surgiram a partir do curso. Acredito, ou melhor, posso afirmar que o engajamento em cada discussão proporcionou uma verdadeira reviravolta em valores que utilizava na compreensão da minha realidade. Padrões, estereótipos e raciocínios, antes simplórios, foram substituídos por uma capacidade de exploração e extrapolação, sem dúvida, oriundas das análises de Semiótica dos filmes trabalhados. Não posso deixar de mencionar, é claro, a miríade de relações amistosas que foram criadas e até reforçadas (ao rever dois professores que sempre foram, para mim, mais que mestres, mas também, amigos). Acredito que o ambiente do curso, que mescla uma aquarela de individualidade, com um padrão de análise extremamente técnico, seja análogo a obras de Monet e Van Gogh. Com essa simples analogia e um breve agradecimento, encerro este pequeno texto, entretanto, não encerrarei nunca a aplicação do que aprendi durante este último semestre.”

João Vítor Mahler

 

“O vasto repertório histórico-cultural de ambos os mestres contribui para tornar o espaço de discussão em um riquíssimo complexo de relações constituintes, muitas vezes, da base instrumental para o entendimento dos produtos da sétima arte. Inicialmente proposto, entre outras questões, para auxiliar os estudantes na formação de um repertório visando as redações dos grandes vestibulares, é importante frisar como o Curso de Cinema – com perdão do trocadilho – transcendeu as minhas expectativas. Certamente, digo que essa, se não foi a atividade extracurricular mais relevante que realizei ao longo de toda a minha vida escolar no Colégio Pentágono, foi uma das de maior importância. Isso porque, ultrapassando o objetivo de formar um repertório básico no aluno – e, em termos da aula de cinema, esse básico é supreendentemente grande -, a vastidão de conhecimentos cinematográficos, além de seus múltiplos parônimos nos mais variados campos da arte e da sociedade, e, por fim, a infindável gama de relações que se podem estabelecer entre esses dois, contribuem majoritariamente para a formação de indivíduos cultos e engajados. Ademais, a forma com que o Fernando e o Orlando administram o ambiente democrático da discussão é magistral. Atentos à valia de um espaço em que todos possam manifestar suas opiniões particulares e ampliar a dimensão do debate, os professores guiam o Curso de modo a – mais uma vez – transcender a sala de aula, onde a distinção usual de professores e alunos é rompida para dar lugar a um meio provido das mais variadas interpretações e conexões realizadas por todos os integrantes do grupo. Chega a ser incrível, ao meu ver, como a dupla conduz essa extensa discussão de modo a torná-la interessante, especialmente em uma tarde de sexta-feira, para um grupo de adolescentes, sobreviventes de uma longa semana escolar com aulas das sete e meia da manhã até às cinco e meia da tarde. A motivação de ambos os docentes para a tamanha dedicação ao Curso é admitida por eles mesmos: o mundo presente, apesar de apresentar um forte dinamismo em vários aspectos, está diminuindo progressivamente a abertura que ele fornece para a arte, na vida individual. O Curso de Cinema está, abertamente, na contramão dessa tendência, uma vez que a sétima arte se compromete em nos mostrar o quanto a reprodução das emoções humanas ainda é de extrema magnitude para a sociedade, sejam elas inspiradoras e com uma certa controvérsia, como nas obras de Woody Allen; metafóricas, e até compassivas, nos filmes de Kieslowski; desoladoras, porém, ao seu peculiar modo, férteis para a felicidade humana, assim como eram as terras italianas descritas por Fellini; abundantes e irreverentes, a exemplo da lógica de Tarantino de pensar suas películas; icônicas e conflituosas, retratadas nos criticismos de Kubrick; e desejosas e surpreendentes, do mesmo modo que se apresentam as marcas de Almodóvar em suas obras, após elas terem sido desvendadas. Desses diretores, todos os filmes a que assistimos demonstram, em alguma medida, a preocupação com essa outorga que a sociedade atual atribui à arte como um aspecto meramente secundário da humanidade. No meu ponto de vista, uma das películas que mais critica essa suposta irrelevância é “Laranja Mecânica” e, especialmente na passagem em que Alex, representante da violência internalizada do homem, utiliza uma obra de arte em formato de falo, um código para o surgimento da espécie humana, para um assassinato. Ou não. Pode ser que o falo seja, na realidade, a figura da permanência do machismo da sociedade, visto que Alex assassinou uma mulher. Em verdade, é impossível saber ao certo, dado o imutável caráter de subjetividade nas interpretações dessa película. Aliás, de todos os filmes e demais produtos do trabalho com as emoções humanas aos quais nós só assistimos, compreendemos, debatemos, reinterpretamos e concluímos, ainda que cada um à sua maneira, uma ínfima lasca do total já produzido pela humanidade. No entanto, essa pequeníssima parte já bastou, e com folga, para que o Curso de Cinema transcendesse as nossas expectativas, transcendesse o espaço habitual da sala de aula e – por que não – transcendesse o próprio espaço cinematográfico, numa abordagem de todos os outros seis ambientes do trabalho com as emoções humanas que só a sétima arte consegue produzir.”

André Peron