Bate-bola com o Planeta – Giovanna Lemos

Sempre estimulamos nossos alunos a participar de fóruns estudantis, olimpíadas e concursos, tanto internos, quanto externos. “De modo geral, estamos formando um grupo de alunos mais pensantes, críticos, autônomos e que buscam ampliar seu crescimento acadêmico, atingindo conhecimentos muito além daqueles esperados em sala de aula”, relata Claudio Giardino, diretor pedagógico geral.

O maior exemplo de sucesso nas olimpíadas estudantis é o da aluna Giovanna Lemos. Estudante da segunda série do Ensino Médio, da unidade Morumbi, que se sagrou campeã da Olimpíada Brasileira de Neurociência (OBN) e representou o Brasil no mundial – International Brain Bee, que aconteceu na Austrália em agosto.

Tão nova e tão sensível, em uma de suas respostas Giovanna, você fala sobre gratidão, sobre as experiências que tem tido aqui nas salas de aula do Pentágono. Estamos envolvidos por cinco valores: excelência acadêmica, formação do indivíduo, cidadão do mundo, parceria com a família e ser feliz na escola e quando percebemos que eles estão sendo aplicados na prática nos sentimos realizados. Obrigado!


Colégio Pentágono: O que te motivou a participar da Olimpíada Brasileira Neurociências?

Giovanna Lemos: Comecei a me interessar por neurociências no nono ano. Desde então, tenho lido livros e assistido filmes sobre o assunto, mas nunca havia estudado a fundo. Comecei a me interessar mais por olimpíadas científicas depois de participar dos módulos avançados de matemática e de química oferecidos pelo colégio (embora goste mais dos de química). Em uma dessas aulas descobri por acidente que havia uma olimpíada de neurociências e resolvi me inscrever. Achei que seria uma ótima experiência e, ao participar, poderia descobrir mais sobre um tópico absolutamente fascinante e que tenho prazer em estudar.

 

Colégio Pentágono: Acreditava que tinha chances de seguir para o mundial na Austrália?

GL: Devo admitir que houve vezes que duvidei de minhas chances. Os outros competidores estavam bem preparados e alguns deles participavam de aulas de neurociência, tendo acesso a mais materiais e podendo tirar dúvidas com professores especializados. Acho que essa insegurança acabou me motivando a me dedicar ainda mais aos estudos e, com o tempo, fiquei mais confiante e tranquila. Antes de participar da etapa nacional, comecei a estudar materiais mais avançados para a prova internacional, afinal, o material era longo e não daria para estudar tudo no intervalo entre a etapa nacional e a internacional.


CP: Como foi o seu preparo para a Internacional Brian Bee? Desenvolveu alguma rotina de estudos?

GL: Utilizei os livros e matérias de estudo específicos da olimpíada. Estudava um capítulo no mínimo todos os dias durante o período de aulas (depois das aulas ou utilizando o intervalo entre elas) e passava o dia inteiro estudando nas férias. Apesar disso, me arrependo de não ter pensado em usar o Youtube para analisar casos clínicos.

 

CP: De alguma maneira o Pentágono te preparou/incentivou para concorrer no mundial? Como os professores te auxiliaram nessa jornada?

GL: O Colégio me ofereceu muito apoio depois de ter ganhado o nacional. Além da ajuda financeira e do incentivo proporcionado pelo Pentágono, gostaria de destacar a participação do meu professor orientador: José Manuel, popularmente conhecido como Manolo, professor de química. Manolo me ofereceu todo o apoio me acompanhando até o Rio de Janeiro para a etapa nacional e, apesar de não ter um conhecimento muito a fundo sobre neurociência, ele me ajudou na parte de química e me mostrou artigos científicos sobre minha área de estudo.

 

CP: Qual foi a sensação de ter sido a representante do Pentágono e do Brasil?

GL: Ganhar a olimpíada nacional foi um dos melhores acontecimentos em minha vida! Me senti extremamente feliz e grata por todos que me ajudaram!

 

CP: Conte-nos a melhor lembrança que você traz dessa experiência.

GL: A melhor lembrança que tive foi, sem dúvida, conhecer os outros competidores de todo o mundo. Fiz ótimos amigos e pude conversar com pessoas da minha idade sobre neurociências. Tivemos ótimas experiências: sofremos juntos antes de cada prova, nos divertimos, rimos, compartilhamos sonhos e experiências. Felizmente, ainda mantenho contato com essas pessoas brilhantes e gentis e espero que um dia nós possamos nos encontrar de novo.

 

CP: Qual faculdade você pretende cursar e quais suas expectativas em relação à vida acadêmica?

GL: Pretendo entrar em Harvard ou Cambridge, mas sei que ainda tenho um longo caminho pela frente antes de estar apta a entrar em faculdades tão boas. Pretendo estudar neurobiologia e depois medicina (não existe um curso de graduação em medicina em faculdades nos Estados Unidos), me especializando em neurociências. Depois da faculdade, gostaria de seguir no ramo da pesquisa, procurando a cura para doenças neurológicas e ajudando as pessoas a terem uma vida não apenas mais longa, mas também mais digna.

 

CP: Participa de outras atividades extracurriculares que o colégio oferece ou incentiva?

GL: Participo do IFY (International Foundation Year) e dos módulos avançados de matemática e química.

 

CP: O que o Pentágono representa na sua vida de estudante e do que você mais gosta daqui?

GL: Sou muito grata por poder estudar no Pentágono. Além de preparar os alunos para o vestibular, o colégio oferece muitas atividades extracurriculares, como módulos de olimpíada, aulas de cinema e o IFY. Apesar de haver escolas mais bem posicionadas nos vestibulares, acredito que o trabalho dos professores vá além do que é exigido no currículo. Nunca vou esquecer das fascinantes aulas do professor Nelson, o qual traz para a sala de aula questões polêmicas sobre política, sistema educacional e a própria essência humana, me questionando sobre o que é a consciência quando, na verdade, seu trabalho é apenas ensinar geografia. Outro professor que merece destaque é o Sami, que nos apresenta desafios matemáticos com um simples olhar desafiador que nos faz querer superar as expectativas a todo o custo, transformando meros triângulos em algo incrível e envolvente. Poderia falar de muitos outros professores: o Gladstone, que faz risadas ecoarem na sala em uma simples demonstração de força centrípeta, e o Roberto, que torna os livros mais desinteressantes em histórias e encenações atraentes, cujo verdadeiro significado se esconde nas entrelinhas, apenas esperando para ser descoberto. Essas pessoas demostram uma paixão por seu trabalho, desenvolvendo uma relação amigável com os alunos ao mesmo tempo que contribuem para a construção do nosso espírito crítico e analítico. Em um sistema educacional voltado para os vestibulares, essa paixão pelo conhecimento e vontade de se superar acabam se perdendo em muitas escolas. Ao contrário de apenas ter aprendido conceitos (que podem ser muito facilmente esquecidos depois do vestibular), as experiências que tive nas salas de aula moldaram minha personalidade e vão me acompanhar para sempre. Sou muito grata a todos professores que passaram por minha vida, muitos dos quais não pude destacar aqui, mas cada um deles foi capaz de mudar meu modo de ver o mundo e construir a pessoa que sou hoje.

 

CP: Qual o seu passa tempo preferido?

GL: Adoro ler livros, sobretudo Sherlock Holmes, Game of Thrones e livros de ciências, como The Edge of Uncertainty. Além disso, gosto de assistir séries e animes.