O brincar é a maior expressão de uma criança. É por meio da brincadeira que ela se comunica com o seu ambiente, com a sua cultura e experimenta o fazer. A diversão também ajuda a desenvolver habilidades físicas, motoras e cognitivas, e a construir valores como responsabilidade, resiliência, respeito, criatividade e imaginação.

A criança pode ser estimulada pelo brincar desde que nasce. Em recreações simples, como esconder e achar, ela é capaz de identificar o estado lúdico do brincar e o sorriso dos adultos, ficar satisfeita e começar a criar vínculo com eles.

Quando a criança entra no mundo do faz de conta, ela experimenta o que observa e representa diferentes papéis. Nessa fase, o mais interessante é disponibilizar brinquedos não estruturados, como tecidos, caixas de papelão e potes, que proporcionem aos pequenos a possibilidade de usar a sua imaginação e que provoquem a vontade de criar a própria brincadeira.

Deixar a criança brincar, ter tempo livre para explorar, descobrir e criar é fundamental para o desenvolvimento sadio. O adulto, seja ele um educador ou alguém da família, deve deixar o papel de comando, sempre indicando um passatempo, dizendo onde e como brincar, e assumir o papel de observador, mantendo um olhar atento para perceber quando é necessário intervir, falar e propor.

Isso não significa que o adulto não possa se entreter com a criança. Na infância, é importante que exista o tempo de brincar sozinho e também de ter lazer com os mais velhos. Quando as crianças crescem, muitos adultos se afastam porque acham que já se viram sozinhas. No entanto, se elas estão mais aptas e disponíveis à socialização e os adultos se afastam, estes perdem a chance de interagir e conhecê-las nesses momentos.

Ao brincar com a criança mais crescida, os mais velhos ensinam a lidar com diversas situações da vida. A garotada precisa aprender a perder em um jogo, assim como a celebrar a vitória generosamente, sem humilhar quem foi derrotado. Um adulto também é peça fundamental para orientar no que diz respeito à superação, à persistência e até ao desafio de ganhar dos mais maduros.

Quando o adulto preserva o tempo de se divertir junto com a criança,  constrói com ela o caminho para que, ao se tornar adolescente, tenha prazer na companhia dos pais e dos mais velhos, tal como dos amigos. Além disso, brincar faz bem (até para “gente grande”): afasta o tédio e a tristeza e combate a obesidade e o sedentarismo.

 

 

Julia Contier Fares
Orientadora Educacional
– Educação Infantil
Unidade Perdizes