45 anos – Andréa Andreucci

Andréa Andreucci

“Fazer parte da história de 45 anos de uma instituição como o Pentágono é um privilégio em que ser conciso é o maior desafio para eleger os melhores momentos, principalmente, porque o coração é quem os escolhe.

Há quase 30 anos como parte desta escola, algumas lembranças provocam um sorriso nostálgico, saudoso, grato e sobretudo esperançoso.

Como um painel de fotos em que os olhos da memória conservam a mesma cor, enxergo nos anos 90 o antigo Espaço Arte Cultura, quando os meus alunos do 9º ano, antiga oitava série, trouxeram dois cavalos para demonstrar uma experiência na área da genética. Vocês poderiam perguntar “mas o que você tinha a ver com isso? Você é Professora de Língua Portuguesa! Meu papel sempre foi ensinar aos alunos a dominar as palavras e conhecer o universo em que elas habitam na construção dos saberes… por isso dei muito trabalho ao Zé da portaria para me ajudar com os cavalos.

Foi também por meio delas, as palavras, que não poderia deixar de escrever sobre nossas idas e vindas com os valentes alunos do 7º ano a Casa de Repouso “Vovô Pedro e Vovó Joana”, lindo projeto do voluntariado liderado pela saudosa Ana Maria Domeneghetti e da querida Darli Cordeiro. Nossas forças resultaram no lançamento do livro “Biografia do Abandono” com relatos tocantes sobre os idosos. Para chegar lá, enfrentamos curvas tortuosas; nossos alunos agiram como pequenos heróis e cresceram com a dureza daquela realidade.

Também não poderia deixar de me lembrar, quando lancei e coordenei o 1º Projeto Identidade do 6º ano, do qual o meu pai participou tocando gaita e contou a sua história aos alunos e ao neto Luccas, meu filho mais velho(hoje com 26 anos) . Numa conta rápida, podemos dizer que um dos projetos mais bonitos da escola existe há 15 anos.

São muitas histórias incríveis que vivi no Pentágono, mas a mais importante e especial foi a de ser mãe. Foi no Pentágono onde os meus três lindos filhos passaram parte de suas vidas. Foi por ele que a Stéphanie, minha caçula de 21 anos, ganhou três vezes medalha de ouro na competição de Ginástica Olímpica no Clube Hebraica e nele aprendeu a ser uma talentosa cronista e estudiosa das questões humanas (hoje cursa o 3ºano de psicologia); foi no Pentágono onde o Matheus despertou espírito de liderança e o gosto pelas exatas (presidente da atlética na Universidade de Engenharia Civil) ; foi no Pentágono o lugar em que o Luccas aprendeu a gerenciar crises. Aos 9 anos, conseguiu negociar o futebol nos recreios, após algumas reuniões com a direção e hoje está formado em Relações Públicas e trabalha na área. Foi no Pentágono o lugar onde ao lado do meu marido , fotografei todas as apresentações e ao ouvir “ somos relâmpagos, estrelas mágicas, preparados pra brilhar” chorei.

É no Pentágono Morumbi que exerço, atualmente, a função de coordenadora pedagógica do Ensino Médio e ao final de cada ano, entrego orgulhosa ao mundo os formandos da terceira série. Em cada abraço vai a esperança de que já citei. São esses futuros engenheiros, professores, cineastas, biólogos, advogados que levam nossas vozes, nossas atitudes, nossa paixão pela educação. Neles enxergo o sonho realizado, “os nossos pássaros da mesma árvore preparados para voar”. Por meio deles tenho a certeza de que há quase trinta anos estou no lugar certo ensinando e aprendendo como a vida deve ser. Por isso não me esquivo em repetir as mesmas palavras mesmo transgredindo as regras da gramática (Foi no Pentágono). Por isso, declaro a minha eterna gratidão a todos que já fizeram e ainda fazem parte dessa história…. Agradeço à Nancy Izzo por me dado essa oportunidade e a generosa carona no dia de minha primeira entrevista, num dia chuvoso, com sapatos sujos de barro e o coração repleto de planos. Foi quando tudo começou. É no Pentágono em que o meu painel de fotos ainda está em construção”.

Andrea Andreuci, coordenadora do Ensino Médio da Unidade Morumbi.