Planeta família – Limites

Limite é a linha que marca o fim de uma extensão espacial ou temporal.

Pensar em limites é pensar no “não”. Dizer “não” é fundamental para a educação de nossos filhos, porque somos responsáveis pela formação do adulto que se consolidará pelos princípios de respeito, obediência, disciplina e coragem.

Não é tarefa fácil criar um filho. Dizer e validar esse “não” é mostrar que existem regras e que, para tudo, há um momento mais adequado, que a frustração faz parte de nossas emoções e que estas nos fortificam. Lidar com regras e frustrações permite que o amadurecimento aconteça de maneira saudável. Em um jogo, por exemplo: desde criança, aprendemos que as regras precisam ser respeitadas. E esse aprendizado se estenderá para a vida adulta. Permitir que as regras do jogo sejam desrespeitadas é mostrar que a criança pode sempre se manter no domínio de uma situação e isso, certamente, poderá gerar dificuldades significativas para a sua inserção no grupo de amigos.

Essa atitude de respeito às regras abrange muitas outras situações ao longo da infância e da adolescência. Assim, as regras e as suas transgressões devem ser, sempre, consistentes: se um dia há punição por não fazer a lição de casa e no outro não, a criança compreende que nem sempre haverá consequências de suas ações e passará a manipular essa falha. A criança que tem sob o seu controle os adultos com quem convive, pode se sentir angustiada, insegura e desprotegida. Por essa razão, uma vez estabelecidos os limites, os pais não podem ficar indiferentes diante da transgressão.

Tanto quanto na infância, os limites na adolescência seguem a mesma sequência. Mas, nessa fase, o poder dos pais sobre os filhos diminui e há um aumento na disposição dos jovens em desrespeitar ordens. Para estabelecer limites, precisamos tratar da própria dificuldade em lidar com a frustração dos filhos.

Algumas ações podem auxiliar nessa tarefa, como explicar os motivos do “não” e legitimá-lo, esclarecendo que a liberdade vai até o ponto em que o adolescente pode arcar com as consequências (um adolescente não pode dirigir antes dos 18 anos, por exemplo). Ficar por perto, saber a que tipo de programa assiste, que casa de amigo frequenta e quem são esses amigos são ações que aproximam pais e filhos. Aproximação importante para o esclarecimento dos limites a serem colocados.

Outro desafio é encontrar formas de substituir o castigo, as surras, a falta de limite por uma atitude orientadora. Nesse processo, precisamos ter a certeza de que as regras estabelecidas estão claras. E, tanto a criança quanto o adolescente, precisam compreender quais são as regras que estabelecemos.
Os filhos precisam identificar os limites e as consequências, caso haja a infração dessas regras. Para isso, escutá-los é necessário. Nesse cenário, a figura de autoridade, daquele que exerce liderança, que tem a postura e o comando, é indispensável para fazer com que as regras e os limites sejam validados. O que difere do autoritário, cuja garantia do cumprimento dos combinados se dará pela imposição da força.

Estabelecendo os limites, os pais não censuram, mas esclarecem as situações e escutam o filho.

A criança e o adolescente que crescem com a compreensão dos limites certamente estarão mais aptas a desenvolver o espírito empreendedor, perceber as oportunidades que se apresentam, aprender a gerir os conflitos que surgem das diferenças entre as pessoas e respeitar as diversidades.

Marcly Castro
Orientadora Educacional da Unidade Perdizes