No Bate-Bola deste mês, nossa Coordenadora do Ensino Fundamental I da unidade Alphaville, Viviane Polito, conta um pouco sobre a alfabetização das crianças nessa fase da escola.

Ela nos conta que, mais do que alfabetizar, letrar é ensinar a criança a interagir com a leitura e a escrita dentro e fora da escola.

Quando uma pessoa sabe ler, não existem fronteiras”. Viviane ainda explica que quando uma leitura é lúdica e envolvente, os alunos percebem que o livro pode ser tão divertido quanto um instrumento tecnológico.

Confira!

 


Colégio Pentágono: Por que a alfabetização é uma conquista fundamental para ser um cidadão?

Viviane Polito: A alfabetização é o processo de ensinar a ler e escrever com foco no sistema alfabético ortográfico. O aluno reconhece o alfabeto, relaciona sons e letras, fonemas e grafemas, para codificar e decodificar. Porém, saber ler e escrever tem se revelado condição insuficiente para responder às demandas da sociedade. Devido a essas circunstâncias, surgiu o conceito de letramento, que vai além do ler e escrever; é necessário interagir com a leitura e a escrita dentro e fora do contexto escolar, cumprindo as exigências sociais. Letrar é mais que alfabetizar. O letramento é importante para a conquista da cidadania. A leitura faz a mediação entre o homem e o mundo, pois lê-se para entender o mundo e, assim, nele conseguir viver, interagir e transformar. Quando uma pessoa sabe ler, não existem fronteiras.  

CP: Quando os alunos completam a Educação Infantil e entram no EFI, eles já não são mais tão pequenos e têm mais independência. Mas ainda estão dando os seus primeiros passos na alfabetização. Quais são os novos desafios nesse momento de transição?

VP: A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental é marcada por novidades e descobertas. Além da conquista da leitura e da escrita, tem a adaptação aos novos espaços, surgem pessoas diferentes e a socialização aparece como outro desafio. Mas é necessário assegurar o direito à infância, pois os alunos não deixarão de ser crianças pelo simples fato de estarem no Fundamental I. O aluno do 1º ano deve ter um ambiente próprio e com rotinas adequadas que garantam o brincar e as características de sua faixa etária, integrando o cuidar e o educar ao seu processo de aprendizagem.

CP: Como o conteúdo das aulas evolui ano a ano?

VP: Nosso objetivo em Língua Portuguesa é desenvolver a competência leitora e escritora.  O que evolui a cada ano são os textos e a fluência da leitura. Os alunos aprendem a compreender o texto, localizando informações e fazendo inferências. As escritas crescem muito mais que em tamanho, mas, principalmente, na expressão e na comunicação clara das ideias. Esse é um objetivo percorrido no decorrer de todo o Ensino Fundamental. Dessa maneira, nossos alunos, desde a Educação lnfantil, possuem contato com a diversidade de gêneros textuais: cantigas, músicas, poemas, contos e outros. Ao final do Ensino Fundamental I, os alunos são autores de textos de opinião e de cartas argumentativas.

CP: Qual o papel  do professor para fazer a turma avançar nas hipóteses de escrita?

VP: O professor é o mediador do processo, potencializador do conhecimento do aluno. Cabe a ele conhecer profundamente o seu grupo, por meio de observações, registros e sondagens, para poder selecionar boas informações para fazer o seu aluno refletir sobre as suas escritas e avançar.

CP: Qual é o papel dos livros paradidáticos no desenvolvimento da leitura, da interpretação e do vocabulário dos alunos?

VP: Os paradidáticos são de fundamental importância ao projeto de letramento, são textos âncoras dos gêneros estudados a cada ano. Além disso, há um trabalho de formação do leitor crítico e competente quando a Infoeducação amplia o conhecimento proposto por cada livro e propícia um mergulho e um aprofundamento no texto por meio de diferentes linguagens trabalhadas na nossa biblioteca, que chamamos de Estação do Conhecimento.

CP: Por que o incentivo à leitura além dos livros paradidáticos é tão importante para complementar a alfabetização?

VP:  A leitura amplia o repertório, auxilia no processo de reconhecimento da leitura como fonte de prazer, amplia a reflexão sobre o sistema alfabético de escrita. É um passaporte para interagir com o mundo.

CP: Em um mundo cheio de atrativos eletrônicos, como smartphones, vídeos e jogos, como mostrar para as crianças que a leitura também pode ser divertida e prazerosa?

VP: Quando a aprendizagem é significativa, os alunos percebem que o livro pode ser tão divertido quanto um instrumento tecnológico. A leitura precisa ser lúdica, concreta, imaginativa e envolvente. Desde pequenos, os alunos têm contato semanal com o livro paradidático, assim, temos a meta de desenvolver o hábito da leitura. Em cada sala de aula, há uma biblioteca circulante de classe, há troca, discussão e ampliação de repertório.