Embora a lei proíba a venda e o consumo de bebida alcoólica a menores de 18 anos, sabemos que o álcool é a droga mais utilizada pelos adolescentes no Brasil. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) regulamenta o tema e estabelece a proibição de compra, venda e consumo de álcool e tabaco para a faixa etária de até 18 anos.

No Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens se inicia por volta dos 12 anos de idade, na pré-adolescência. Chegamos ao ano de 2017 e o consumo está cada vez mais precoce e meninas estão bebendo tanto quanto os meninos.

Por que o padrão de consumo parece ter mudado? Quais fatores colaboram para que o contato com a bebida ocorra cada vez mais cedo?

As bebidas alcoólicas estão cada vez mais presentes na rotina dos adolescentes. Em muitas festas de 15 anos, elas são oferecidas livremente. Nas baladas, são distribuídas para quem pagou o valor da entrada. No chamado “esquenta”, os amigos se reúnem na casa de um deles e chegam um pouco alcoolizados à festa. Parece que a festa, sem bebida, perde a graça.

E por que os jovens estão bebendo tanto? A pressão do grupo, o bem-estar imediato causado pela ingestão do álcool, a diminuição de inibições, pensará nosso jovem. Além disso, o consumo de bebida é aceito socialmente, mesmo com a restrição legal. Pais acham normal que os filhos bebam cerveja, vodka, tequila, ice, mas entram em pânico quando descobrem que eles fumaram maconha.

O Guia Prático de Orientação sobre o impacto das bebidas alcoólicas para a saúde da criança e do adolescente, lançado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), reafirma os danos causados no organismo. Os adolescentes são vulneráveis aos danos cerebrais causados pelo álcool e têm mais chances de desenvolvimento de dependência de álcool. Além disso, sabemos os riscos de acidentes de trânsito fatais causados pelo uso do álcool. Para a experimentação, os fatores externos e a pressão do grupo são mais importantes. Já o abuso e a dependência variam de acordo com as características do indivíduo. A grande questão é que é impossível saber quem irá se tornar dependente.

O que fazer para alertar os filhos? O uso de bebida faz parte das transgressões de regras, típicas do jovem. O comportamento transgressor faz os jovens se reconhecerem como diferentes dos adultos.

Um caminho errado é a hesitação por parte dos pais. Ora permitem, ora proíbem. Ou a mãe proíbe e o pai permite que o filho beba ou vice-versa. 

O abuso de qualquer substância chamada de psicoativa, como a bebida alcoólica, é multifatorial. Quer dizer que não há uma só causa para que os jovens encham a cara, mas envolve aspectos biológicos, emocionais, comportamentais, familiares. Então, como fazer a prevenção neste emaranhado de razões?

Os especialistas explicam que há  fatores protetores que família e escola podem desenvolver para proteger o jovem do uso abusivo do álcool. Entre eles, fortes laços de afeto na família e a criação de habilidades para a vida. Auxiliar no desenvolvimento de recursos internos diante de frustrações. Ensinar a dizer não, a deixar de ser “maria vai com as outras”, para que sinta segurança em rejeitar a bebida quando alguém lhe oferecer e não se sinta ameaçado por não aceitá-la. Enfim, encorajar, nos nossos filhos e alunos, a confiança em si mesmos e a autoestima para que deixem de fazer coisas que, na realidade, não precisam fazer.

Adriana Giorgi Costa
Orientadora Educacional 
Colégio Pentágono