Existe “ideologia de gênero” ou “questões de gênero”?

A chamada “ideologia de gênero” gerou recentemente polêmica sobre se as questões de gênero devem ou não ser trabalhadas na escola.  “Não seria uma doutrinação?”, perguntam alguns. O que tem acontecido é uma confusão entre os termos ideologia de gênero e questões de gênero. O tema  é controverso, refere-se a visões de mundo diversas e  as escolas devem tratá-lo com cautela e cuidado, respeitando a diversidade de opinião das famílias.

Na origem da discussão está a problematização do que se conhece por gênero. Gênero e sexo biológico seriam coisas diversas. O gênero é constituído por características que são historicamente, socialmente e culturalmente construídas, e são assumidas individualmente através de papéis, gostos, costumes e comportamentos relacionadas a ‘ser homem’ e ‘ser mulher’.

A educação que visa ao respeito à diversidade não é uma doutrinação, dizendo para a criança ser de um jeito ou de outro. É uma orientação para que  ela respeite quem é diferente, sem discriminação e sem preconceitos, quaisquer que sejam.

O colégio Pentágono, a partir dessa premissa, pensa que as crianças devem aprender a respeitar a diversidade. As reflexões sobre feminismo, machismo, homofobia e racismo inserem-se neste contexto. A questão de gênero é um dos aspectos do tema da diversidade. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) veio ampliar nossa visão, ao afirmar que uma  das competências principais é   “Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza”.

E como fazemos isso em relação às questões de gênero? Buscamos a reflexão sobre a rigidez dos padrões de conduta estabelecidos para homem e mulher. Orientamos nossa equipe a evitar reproduzir os estereótipos de gênero. Por exemplo, não dizer que meninos são melhores do que as meninas em exatas, justamente para que cada um desenvolva suas potencialidades, livres de um padrão preconcebido.   Os gêneros feminino e masculino não devem servir como critério de formação de grupo, como filas de meninos e meninas, por exemplo. Desaprovamos as clássicas piadas que ridicularizam mulheres e homossexuais,  tão comuns em décadas passadas.

No processo de formação do indivíduo, a criança afirma-se como menino ou menina.  Essa diferença de gênero, tão necessária para a construção da identidade, não significa a defesa de preconceito, discriminação ou estereótipos.

Adriana Giorgi Costa
Orientadora Educacional