O mundo está mudando a uma velocidade cada vez maior. Desde a Terceira Revolução Industrial, as transformações tecnológicas, espaciais, sociais e comportamentais passaram a ser cada vez mais rápidas e as novidades cada vez mais efêmeras. Nesse ”ritmo”, as gerações [1] também foram mudando. A que nasceu nesse contexto de alta velocidade é a chamada Geração Z.

Os nascidos a partir de 1990 pertencem a uma geração que não se deslumbra frente aos rápidos avanços tecnológicos. O mesmo comportamento não se observa diante de bens de consumo, cujo “desejo” é criado artificialmente por meio das diversas mídias. Consumo este que também ganhou uma velocidade maior: talvez nunca na história da humanidade tenha sido tão rápido o processo de criar, consumir e descartar.

Dentro deste contexto, torna-se imprescindível discutir o papel da educação ambiental nas escolas: como educar as novas gerações para um mundo “sustentável”? Como se comporta a Geração Z frente ao consumo e às questões ambientais? A quem atribuir as responsabilidades dessa formação?

É necessário enfatizar a importância de uma educação escolar para a sustentabilidade que tenha real significado para os estudantes e que possa ser incorporada aos seus ideais e ao seu estilo de vida.

Diversos autores contemporâneos renomados, como Zygmunt Bauman, Jean Baudrillard e Boaventura de Sousa Santos, discutem a evolução da sociedade contemporânea para uma sociedade de lazer, sendo esta associado ao consumo. O aumento do nível de vida e do tempo livre favorecem um comportamento extremamente importante para uma sociedade industrial em seu estágio atual: o consumismo, ou seja, o comportamento de consumir produtos em uma quantidade muito além das necessidades básicas de sobrevivência.

O modelo de sociedade de consumo pós-moderna preza pelo “bombardeio” de informações sobre produtos, a criação da necessidade do consumo destes produtos e a vinculação que, ao obtê-los, haverá um sentimento de felicidade e satisfação atrelado a eles.

Segundo Bauman (2005), nesse contexto, o “ter” passa a possuir uma importância social. As classes são formadas e os indivíduos reconhecidos pelos objetos que compram. E o tempo de valor desses objetos passa a ser muito curto.

A valorização do objeto ligada às ações de propaganda e marketing desperta o desejo de ter o objeto, de ser reconhecido (pelas camadas sociais mais altas) e de se sentir inserido na sociedade. Porém, o sistema de organização da sociedade pós-moderna não prevê a inserção de todos e nem a igualdade de consumo. Além disso, o próprio planeta não suportaria a exploração de recursos para garantir essa igualdade e nem o descarte dos objetos sem uso.

Assim, torna-se imprescindível rever os padrões de consumo, educando as novas gerações para uma nova cultura e um novo comportamento diante do desejo e do objeto em si.

O Colégio Pentágono, contemplando seus valores de formação do indivíduo e cidadão do mundo, por meio de seu Núcleo Ecológico, confere destaque a uma Educação para a sustentabilidade em todos os seus segmentos, da Educação Infantil ao Ensino Médio. Alunos representantes do Núcleo Ecológico são eleitos anualmente – por meio de uma votação entre os colegas de sala – e, com a orientação dos professores, encabeçam temas relacionados à sustentabilidade ambiental e social. Diversos motes escolhidos ao longo dos anos, a partir de discussões entre alunos e professores, já fizeram e fazem parte do cotidiano escolar. Campanhas para evitar o desperdício de comida nos refeitórios e água nos espaços escolares, para a redução do lixo gerado em sala, sobre a febre amarela e a importância de se preservar os ambientes naturais, e sobre a economia de luz, além de aulas sobre consumo e consumismo e o uso racional dos recursos naturais, são alguns exemplos de práticas relacionadas a um modo de pensar/fazer sustentável. O Colégio Pentágono é uma escola associada à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e aborda, nas reuniões do Núcleo Ecológico, no cotidiano escolar e em sala de aula, os diversos temas propostos por este órgão, possuindo um compromisso prioritário com uma Educação de qualidade, dando ênfase a uma Educação que priorize o desenvolvimento sustentável. Diante desse cenário, uma grande contribuição curricular se estabelece e as reflexões sobre os temas socioambientais surgem naturalmente.

A Educação para a sustentabilidade é um dos pilares da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), elaborada para ser uma diretriz da atual Educação Básica, e as temáticas ambientais fazem parte não só das aulas de Geografia e Ciências, mas do dia a dia escolar. A sociedade voltada para o consumo é organizada, articulada e tem as mídias à sua disposição. Por isso é extremamente importante refletir sobre como educar para um mundo sustentável. E não apenas refletir, mas tornar essa Educação efetiva para que as desigualdades sociais diminuam e para as próximas gerações sejam mais conscientes quanto ao consumo, o uso de recursos naturais e o descarte. Uma Educação que, como apresenta Jacobi (2003), crie novas atitudes e comportamentos diante do consumo na nossa sociedade e que estimule a mudança de valores individuais e coletivos.

[1] No sentido mais limitado, uma geração é um grupo de indivíduos que ocupam a mesma posição em um sistema de parentesco. […] Os demógrafos usam esse enfoque para definir geração como o número de anos transcorridos entre o nascimento de um grupo de pessoas e o nascimento de seus filhos. […] Os valores numéricos da extensão média variam, em limites muito estreitos, em torno de 29 anos. JOHNSON, A. G. Dicionário de Sociologia. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor. 1997.

Autora:
Prof.ª Fabiana Pegoraro Soares
Professora e coordenadora de Geografia do Colégio Pentágono

Com a participação de:
Prof. Thierry Faria Lima
Professor e coordenador de Ciências e Biologia do Colégio Pentágono