A partir de março de 2022, a implementação do Novo Ensino Médio passa a ser obrigatória em todas as escolas públicas e privadas do país, atendendo às exigências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O Colégio Pentágono, no entanto, saiu na frente e, desde 2021, tem se adequado às mudanças propostas – tornando-se referência para outras escolas. 

Para contar um pouco sobre esse processo e os impactos causados no dia a dia escolar, conversamos com Bruno Alvarez, Coordenador Pedagógico do Ensino Médio na Unidade Morumbi, que esteve à frente da criação de toda a nova grade curricular. O educador também fala sobre as mudanças que estão sendo feitas em 2022, como a garantia de certificação em todas as disciplinas eletivas. Confira! 

Como foi o primeiro ano de implementação do Novo Ensino Médio no Colégio Pentágono? Já é possível dizer que colhemos frutos desse trabalho?

Em primeiro lugar, foi gratificante: toda mudança educacional que exige tanta reflexão e criatividade é satisfatória para educadores, pois nos permite novas possibilidades que confrontam certas crenças e alguns fazeres tradicionais. Educadores precisam refletir constantemente, mas a rotina nos leva a repetir a tradição sem questioná-la. O Novo Ensino Médio abriu portas para que refletíssemos acerca do que sempre fizemos e daquilo que poderíamos e deveríamos fazer para nos adequarmos a novos tempos.

Em segundo lugar, foi recompensador: vimos que todo o esforço empreendido ao longo de mais de um ano de trabalho valeu a pena. Notamos alunos refletindo, com mais propriedade, sobre suas possibilidades de escolha de carreira. Já na primeira série do Ensino Médio, eles tiveram acesso a informações e a experiências que enriqueceram o seu repertório relativo às diferentes áreas do conhecimento e de atuação. Muito provavelmente, ao chegarem ao fim do percurso, esses alunos poderão fazer escolhas mais assertivas. Afora isso, vemos que o Ensino Médio vibra de outro modo: o modelo fixo tradicional promovido havia tantos anos pelas escolas deu lugar a um modelo em que o aluno, agora com poder de escolha, tem suas necessidades mais bem atendidas. O Ensino Médio, em muitos sentidos, foi arejado.

E sobre o impacto geral: qual a grande vantagem para o Pentágono em ter saído na frente e implementado de forma pioneira? Como você enxerga o Colégio sob essa ótica?

Sair na frente significou fazer mudanças grandes de modo menos abrupto. Em vez de fazermos todo um trabalho complexo de uma vez só, fizemos uma transição mais tranquila. Isso foi bom para os alunos, que puderam se adaptar sem grandes dificuldades. Além disso, vimos, em 2021, o que funcionou e o que não funcionou, de modo a construir um modelo – em vigor agora em 2022 – ainda mais rico. Mas eu diria que estar na vanguarda nos abriu certas veredas: estivemos em contato com pessoas e outras instituições que também estavam pensando em modelos de Itinerários Formativos, o que fortaleceu muitíssimo o nosso processo de elaboração. O resultado é que, além de termos feito um trabalho cuidadoso para os nossos alunos, nos tornamos referência para outras escolas que ainda não sabiam como lidar com todas essas mudanças. Em 2021, quando já estávamos caminhando com o Novo Ensino Médio e outras escolas ainda estavam discutindo o que fariam em 2022, participamos de diálogos, lives e eventos que levaram nossa proposta para além dos muros das nossas três unidades.

Qual a recepção dos alunos sobre o Novo Ensino Médio? E a resposta das famílias?

Quando apresentamos o nosso modelo aos pais, o que ouvimos muito recorrentemente é que eles gostariam de que o Ensino Médio deles tivesse sido assim. Esse é o melhor sinal de aprovação que poderíamos receber. Quanto aos alunos, o que vemos é que eles estão bastante engajados nas escolhas de seu Itinerário e das eletivas que os compõem. Nas três oportunidades em que eles puderam fazer escolhas (que podem ser refeitas semestralmente), houve grande alvoroço: nota-se, entre eles, uma expectativa muito grande, seja para saber o que virá, seja para garantir que suas escolhas sejam atendidas. É algo que não víamos no modelo tradicional. Os alunos se sentem mais ouvidos.

O que mudou do ano passado para o segundo ano do Novo Ensino Médio? Quais as grandes novidades para 2022?

Além das diversas eletivas novas, passamos a oferecer certificados para elas. A ideia é que os nossos alunos tenham, desde já, um espírito de carreira: eles precisam nutrir o desejo de elaborar seu currículo, catalogando cuidadosamente suas conquistas. Mas, mais do que isso, fazendo escolhas melhores para a elaboração de um portfólio que faça sentido para o seu futuro. É interessante que um aluno que vá para a área da Administração ou da Economia, por exemplo, possa apresentar um certificado de um curso como o de Cases de ética nos negócios ou outros relacionados à Matemática Financeira.

Como é feita a escolha das eletivas pela escola? Como são determinadas as matérias? E para os alunos, como é o processo de escolha das eletivas?

Nossos professores têm total autonomia para apresentar propostas para o Colégio: os cursos devem vir com ementa completa, que inclui uma sinopse, bibliografia e formas de avaliação. Cabe à coordenação pedagógica filtrar essas propostas, pensando nas necessidades da comunidade. No ano passado, percebemos, por exemplo, que havia muita demanda para cursos relacionados à área da saúde. Por isso, elaboramos mais duas disciplinas desse campo. Vale salientar que se abre uma possibilidade para que professores possam lançar mão de suas especialidades. Muitas vezes, contamos com verdadeiros especialistas, com mestrado e/ou doutorado em uma determinada área, mas cuja especialização não cabe em um curso básico oferecido para todos os alunos; nas eletivas, há espaço para isso. Para isso e mais: no caso das disciplinas oferecidas pelas universidades que são nossas parceiras – FGV, Ibmec, Istituto Europeo di Design, Inteli e Mauá –, o que vemos é uma mudança não somente nos assuntos abordados, mas também na linguagem adotada pelos professores.

O Projeto de Vida é contemplado no Novo Ensino Médio? Como?

Nós criamos o nosso próprio curso: o Projete-se. Em um século que demanda um poder cada vez maior de transformação e adaptação, é fundamental que os nossos alunos se posicionem de modo assertivo diante dos complexos desafios do mundo contemporâneo. Devem conhecer melhor o que norteia suas escolhas, tanto acadêmicas quanto profissionais, e projetar o futuro que almejam. Trata-se de compreender o mundo do trabalho que se apresenta e também as próprias potencialidades e aptidões, de modo a mobilizar competências cognitivas e socioemocionais.

O Projete-se é o programa do Colégio Pentágono que visa a oferecer as condições para que lidem com todas essas questões e se tornem, de fato, protagonistas. Assim, conhecer-se, planejar-se, definir metas e organizar-se para alcançá-las são práticas trabalhadas semanalmente, em encontros de 50 minutos, para todos os alunos da 1ª série. ▖