Por Carolina Araújo Rodrigues
* Texto originalmente publicado no Blog do Estadão

A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano marcada por transformações biológicas, emocionais e comportamentais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, inicia-se aos 10 anos, e termina por volta dos 19. Nesse período, as transformações corporais ocorrem rapidamente, fazendo o adolescente se adaptar a um novo esquema corporal bastante diferente, o que frequentemente gera insegurança e dificuldade de aceitação sobre o próprio corpo. Além disso, algumas alterações hormonais eventualmente influem em estados de humor com emoções mais intensas e instáveis. Enquanto isso, as conexões cerebrais também estão se transformando, alcançando o amadurecimento total por volta dos 24 anos. 

Na adolescência, os jovens já são capazes de pensar de maneira dedutiva e hipotética, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades sociais. Por outro lado, o córtex pré-frontal, área responsável pela capacidade de fazer julgamento crítico e análise cognitiva das situações, pelo planejamento e tomada de decisão, bem como pelo controle de impulsos, ainda está imaturo. 

Do ponto de vista comportamental, os adolescentes começam a se opor às crenças e valores da família, e buscam outras referências de identificação, por exemplo, com os amigos com quem compartilham interesses em comum. Para adquirirem autonomia e formarem sua própria identidade, acabam transferindo a dependência afetiva que tinham com a família para os pares. Dessa forma, pertencer a um grupo torna-se fundamental. 

Ao mesmo tempo, o mundo adulto desperta a curiosidade e a experimentação passa a fazer parte do desenvolvimento natural dessa idade. Em alguns casos, porém, a imaturidade do córtex pré-frontal, associada a necessidade de impressionar os amigos e a busca por aprovação, podem fazer com que o adolescente se envolva em comportamentos de risco, tais como início de atividade sexual precoce e sem proteção, consumo de álcool, tabaco, cigarro eletrônico ou outras substâncias ilícitas, prática de autolesão ou até comportamento suicida. 

Para que o jovem possa vivenciar essa fase de experimentações de maneira mais segura e construtiva, é fundamental que tenha ao seu lado pessoas de confiança com as quais possa dialogar e refletir sobre essas escolhas. Nesse sentido, família e os professores são fundamentais para apoiar esse adolescente, mostrando não só as consequências de seus atos impulsivos, mas também oferecendo outras formas de expressão, como esportes, atividades artísticas, ou qualquer outra atividade na qual tenha destaque, para que se sinta mais autoconfiante. Enfim, que se junte a um grupo que desperte as características positivas do jovem.

As famílias que conseguem construir desde a infância uma relação de confiança e diálogo, participando ativamente da vida do filho, demonstrando afeto, tendem a criar um ambiente mais favorável para a criança se tornar um adolescente mais seguro e estável emocionalmente. Estudos mostram que a intimidade, proximidade familiar, relação positiva com os pais e monitoramento parental reduziram a frequência de comportamentos de risco entre os jovens. 

Além disso, é importante investir desde cedo em hábitos saudáveis, proporcionando aos filhos diferentes atividades como formas de desenvolver novas habilidades, promovendo maior autoestima e confiança para superar os desafios da adolescência. No Colégio Pentágono, o trabalho constante com os adolescentes se constrói em parceria com as famílias. Além disso, a escola também disponibiliza diversas atividades extracurriculares com o intuito de promover o desenvolvimento físico e mental dos estudantes. 

Carolina Araújo Rodrigues é Orientadora Educacional dos Anos Finais e Ensino Médio, coordenadora do Projeto de Vida no Colégio Pentágono.