Planeta família – A tão falada autonomia!

A tarefa de educar filhos não é nada fácil. Exige de nós, pais, eterna vigilância.

Queremos que nossos pequenos se tornem adultos realizados e felizes, preparados para aceitar os desafios e resolver com competência os problemas da vida. Neste ponto, surgem algumas dúvidas. Será que os educamos para terem a autonomia necessária para isso? Como desenvolver essa autonomia?

Vivemos em um mundo que exige de nós, adultos, cada vez mais rapidez e eficiência, especialmente em nossas atividades profissionais e, com isso, estamos cada vez mais exigentes e ansiosos. Estas demandas da contemporaneidade roubam de nós o tempo necessário para dar aos nossos filhos a oportunidade de explorar todo o seu repertório de experiências para resolver determinados desafios do dia a dia. Preferimos, muitas vezes, resolver por eles as dificuldades que encontram. Na hora de sair de casa, por exemplo, a criaturinha já tomou banho e está se esforçando para abotoar a blusinha, com “aqueles lindos dedinhos desajeitadinhos…”. O que fazemos? Imediatamente, como pais zelosos, dizemos “deixe que eu fecho para você”. E amarrar o tênis? A mesma coisa, impacientes, amarramos por eles.

Imaginamos que, com a nossa conduta, estamos ajudando nossos filhos e sendo muito bons pais. Ledo engano. Fazendo por eles, resolvendo por eles, estamos impedindo que desenvolvam competências, pois não permitimos que eles tentem por si sós com os recursos de que dispõem e exercitem suas habilidades. Na maioria das vezes, somos impacientes e atropelamos nossos pequenos. Fazendo por eles, passamos uma mensagem subliminar de que eles não são capazes…. É isso mesmo que queremos?

Ter autonomia implica cuidar de si e das coisas da sua vida. Não nascemos com autonomia, precisamos desenvolvê-la. Vamos dar uma paradinha, respirar e deixar que os nossos filhos corram riscos saudáveis, tomem iniciativas e enfrentem as suas dificuldades. Estaremos por perto, supervisionando, mas deixando que se exercitem e sejam protagonistas de suas vidinhas. Afinal, queremos que se tornem adultos ativos e responsáveis, não é mesmo?

Heloísa Porto Alegre
Orientadora Educacional da Unidade Morumbi